A filha do chanceler do Reino de Dongsheng tentou fugir com alguém, mas fracassou e foi forçada a se jogar no rio e tirar a própria vida. Quando acordou de novo, a tímida e inútil jovem senhorita passou a compartilhar o mesmo corpo com Qing Yu, a imperatriz dragão-serpente que dominava os seis reinos e fazia tremer o mundo inteiro. Para refinar seu corpo verdadeiro, ela foi para o campo de batalha, pacificou todas as direções e, de uma frágil filha ilegítima, ascendeu até o trono de imperatriz, com poder que abalava o céu e a terra e fama que ressoava por toda parte. Cortar os laços do amor, sustentar a grande causa do clã das serpentes e tomar de volta o trono da imperatriz — Qing Yu não tinha medo de nada disso... Mas o célebre Lorde Demônio era, na verdade, aquele antigo amor que ela usou e depois abandonou...? Isso ficou constrangedor demais! Só restava recorrer a truques ousados: provocar e correr, e negar até a morte! Lorde Demônio: "Heh, este soberano jamais reconhece a esposa só pela aparência..."
Como ousam!
Qingyu fitou com seus belos olhos carregados de frieza, tendo às costas um abismo de milhares de braças e, à frente, aproximando-se passo a passo, as irmãs que outrora enfrentaram com ela nascimentos e mortes, combatendo lado a lado, além dos subordinados em quem depositava inteira confiança. E agora, juntos, eles a traíam.
Milhares de setas afiadas apontavam-na, aguardando apenas uma ordem para que aquelas flechas frias, que ela mesma havia treinado para mirar nos inimigos, se voltassem todas contra ela.
“Querida irmã, Vossa Majestade a Imperatriz, não fosse por vossa insistência em dar à luz o bastardo que carregais, como teríamos uma oportunidade tão perfeita? Ah, ah, ah! Fostes vós mesma quem nos concedeu a ousadia!” A mulher à frente ria sem pudor, avançando com passo firme em direção a Qingyu.
No cimo do penhasco que quase tocava as nuvens, o vento cortante uivava. Qingyu vestia apenas uma leve túnica de dormir; gotas de suor deslizavam de sua fronte até o centro das sobrancelhas. Ela apertava os dedos dentro das mangas, porém mantinha as costas eretas como uma flecha.
O ventre elevado latejava em ondas de dor, e sob seus pés o sangue exalava um odor acre. Encarando a mulher que se aproximava, um sorriso de escárnio curvou-lhe os lábios. Ela ergueu ligeiramente o queixo, mantendo nos olhos a mesma altivez de sempre: “Então aproveitai bem esta última oportunidade de ousar. Um dia, Eu vos privarei até da chance de descer ao inferno!”
Os passos da mulher hesitaram. Primeiro, espantou-se que Qingyu ainda ousasse ame