Qin Gong

Qin Gong

Autor: Quando chove, levo comigo uma faca.

Um jovem teve sua alma transportada para o final do Período dos Reinos Combatentes, encontrando-se no Estado de Qi, onde desde o nascimento sofreu desconfiança e sarcasmo velado. Felizmente, tendo vivido duas vidas, ele era capaz de enxergar almas errantes. No entanto, entre os Sete Reinos, as honrarias dos seis eram nada mais do que privilégios hereditários, pertencentes apenas aos poderosos. Ele acreditava que, nesta vida, seria quase impossível despedaçar o desprezo alheio e conquistar títulos ou postos militares. Jamais imaginou que, por uma reviravolta do destino, acabaria assumindo o lugar de um morto e indo parar no Estado de Qin. “Fama, fortuna e poder—entro em Qin em busca de glória!”... Esta obra também é conhecida como: “Revelando tudo para Ying Zheng, sou um espião”, “General de Qin, originário de Qi”, “O rei de Qi quer matar”, “O rei de Qi desmaiou de raiva”.

Qin Gong

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Capítulo Um: Da próxima vez, com certeza

Sentado sobre uma pedra, observando os peixinhos nadarem junto aos seus pés calejados, essa cena lhe parecia estranhamente familiar, ainda capaz de provocar inveja em quem a contemplasse. Mergulhou suavemente as mãos feridas na água, sentindo o frescor deslizar sobre a pele. De olhos fechados, Shui Yan aproveitou em silêncio aquele instante de tranquilidade.

Roubando meio dia de sossego — talvez essa fosse a melhor expressão para descrever os sentimentos que afloravam em seu peito naquele momento. Era somente nesse dia, a cada ano, que se permitia recordar o estranho motivo pelo qual, mais de dois mil anos à frente de seu tempo, foi transportado para aquela época distante. Na longa corrente da história, tornara-se um bebê desse tempo.

E num piscar de olhos, já haviam se passado quatorze anos desde que habitava esse mundo. A rotina repetitiva quase o fazia esquecer, levando-o a duvidar, por vezes, se sua “vida anterior” não teria sido apenas um sonho. Apenas quando ouvia, ainda que de longe, alguém comentar sobre os grandes acontecimentos do mundo, lembrava-se que não era um devaneio.

Shui Yan — esse era seu nome agora. Quem o batizou, porém, não foram seus pais nem seus avós, mas sim sua avó materna. O vilarejo se chamava Vila das Águas, e “Yan” fora inspirado em seu ídolo, Qu Yuan, mais precisamente em um caractere do poema “Viagem Distante”.

Ao pensar na avó, um sorriso nascia involuntariamente no rosto magro de Shui Yan. Se o fato de ter sido lançado nesse mundo o pegara de surpresa, a presença da avó tornara-se uma das poucas fontes de aconche

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