É algo realmente fascinante: embora pareça escuro e apagado, consegue irradiar uma luz dourada que encanta profundamente quem a observa...
— Encontrou trabalho?
Lynquis, que acabara de dar uma volta na rua, retornou para casa e olhou para a namorada que preparava o jantar, balançando a cabeça com um leve sentimento de culpa.
A namorada não demonstrou decepção nem qualquer outra emoção intensa, como se... não conseguir um emprego fosse algo absolutamente normal.
Lynquis evitava ao máximo conversas longas; temia que aquela mulher, que dormia ao seu lado todas as noites, pudesse perceber algo estranho em seu comportamento.
Ela trouxe uma frigideira já um pouco torta até a velha mesa de madeira descascada e trêmula, serviu um ovo frito sobre uma porção de carne picada e sentou-se.
— Não se preocupe tanto, eu ainda tenho algum dinheiro guardado. Talvez amanhã você já consiga um emprego. Vamos jantar primeiro.
Lynquis assentiu, começando a comer o jantar, que não era dos mais saborosos.
Ao cortar a fina camada cozida do ovo, a gema densa escorreu sobre os pedacinhos de carne, como um molho natural, tornando-os mais apetitosos.
Mastigava mecanicamente, mas sua mente estava em outro lugar.
Havia atravessado para outro mundo. Não sabia explicar o mecanismo científico ou qualquer outra razão; o fato era que havia atravessado.
Antes disso, exercera diversos trabalhos: entregador, vendedor de seguros, garçom, ajudante de cozinha...
Durante trinta anos fizera ocupações modestas, até que, depois dos trinta, algo mudou radicalmente.
Como gostava de dizer depois, usara os primeiros trinta anos para acumular experiências, até que, num discurso eloquente e comovente