No mundo, existem duas coisas capazes de abalar profundamente o espírito humano: uma são os nobres princípios morais que carregamos em nosso coração, a outra é o céu estrelado, resplandecente, que se estende acima de nossas cabeças. — Immanuel Kant Quando Xu Le desviou o olhar dessas palavras e, pela primeira vez, enxergou realmente a infinidade de estrelas, numerosas como sementes de gergelim, além da poeira cósmica, não ficou maravilhado. Pelo contrário, sentiu raiva: as estrelas além do céu do Grande Distrito eram tão ofuscantes, quem poderia suportar? Ser deslumbrado por essas luzes todos os dias só poderia transformar alguém em um daqueles gatos selvagens dos túneis de mineração, atordoados pelos refletores. Assim, Xu Le desistiu do sonho de se tornar assistente de uma nobre comandante de nave de guerra e começou, sob o peso da gravidade, a decair, decair, decair, até se tornar um humilde porteiro vindo de longe, um pobre rapaz que vendia o próprio corpo, um infeliz dedicado a trabalhos extenuantes como empregado doméstico... Em meio à grandiosidade daquela época tempestuosa, ele exibia os dentes em sorrisos tolos de olhos semicerrados, envolto em um brilho inexplicável, caminhando passo a passo rumo a um destino desconhecido para todos. Xu Le, cidadão do Grande Distrito de Donglin, partiu de um planeta árido e meio abandonado, trazendo na mente conhecimentos estranhos e no corpo uma força jamais tocada por qualquer outro ser daquele mundo. Sem confusão, com um contentamento quase absurdo, adentrou esse mundo ao mesmo tempo mais enfadonho e mais fascinante que poderia existir. A vida de um viajante entre mundos, sem dúvida, seria extraordinária. Primeiro capítulo — Mao Ni
Se alguém olhasse para Donglin do espaço, veria um planeta de rara beleza. A superfície é marcada pelo azul das águas do mar e pelo verde interminável dos campos, salpicada por minas pálidas e inquietantes, tudo banhado pela luz difusa das estrelas filtrada por partículas de alta altitude. Esse cenário exala uma beleza indefinível, como uma tela de óleo antiga coberta pelo pó da história.
No entanto, para os habitantes e órfãos do Distrito Donglin, seu planeta nada oferece além de pedras; só existe pedra, e nada mais. Mesmo os campos verdes, sob seus olhares endurecidos e quase indiferentes, revelam-se apenas uma fina camada de grama sobre a riqueza e a glória do passado. Eles só enxergam através do véu esverdeado, buscando as veias minerais tão cobiçadas pelos habitantes de Donglin.
Administrativamente, Donglin é um distrito de segundo nível, com o mesmo status das três estrelas reluzentes do Círculo Central e do Distrito Xilin. Mas, no coração do povo da Federação, esse canto remoto é um lugar esquecido. Exceto por ocasiões de celebração dos seiscentos anos da Federação, onde o nome Donglin ainda aparece, para muitos que vivem em sociedades ricas e civilizadas, Donglin já não existe.
O Distrito Donglin consiste em apenas um planeta, Donglin, o que parece óbvio, mas não o é; afinal, o nome do distrito deriva da própria estrela, evidenciando que, em um passado remoto, esse solitário planeta na extremidade do sistema triangular tinha um significado vital para toda a humanidade.
Porém, após a exaustão de todos os tipos de minério, Donglin tornou-se